<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"
	>

<channel>
	<title>Relances</title>
	<atom:link href="http://relances.wordpress.com/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://relances.wordpress.com</link>
	<description>ato e efeito de blogar</description>
	<lastBuildDate>Mon, 23 Jan 2012 05:31:53 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-br</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.com/</generator>
<cloud domain='relances.wordpress.com' port='80' path='/?rsscloud=notify' registerProcedure='' protocol='http-post' />
<image>
		<url>http://s2.wp.com/i/buttonw-com.png</url>
		<title>Relances</title>
		<link>http://relances.wordpress.com</link>
	</image>
	<atom:link rel="search" type="application/opensearchdescription+xml" href="http://relances.wordpress.com/osd.xml" title="Relances" />
	<atom:link rel='hub' href='http://relances.wordpress.com/?pushpress=hub'/>
		<item>
		<title>Empáfia ilustrada</title>
		<link>http://relances.wordpress.com/2011/06/25/empafia-ilustrada/</link>
		<comments>http://relances.wordpress.com/2011/06/25/empafia-ilustrada/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 25 Jun 2011 15:12:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>relances</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relances]]></category>
		<category><![CDATA[Criticáveis]]></category>
		<category><![CDATA[Shakespeare]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://relances.wordpress.com/?p=560</guid>
		<description><![CDATA[Há dias em que minha paciência com a arrogância se esgota. Não é raro, em minha vida de protointelectualidade (tanto minha como de todos ao meu redor), deparar-me com as inconsistências das pessoas, incapazes de perceber suas próprias falhas e limitações. Isso começa no nível mais absurdo, como entre os jovens de minha idade, mas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=relances.wordpress.com&amp;blog=10797849&amp;post=560&amp;subd=relances&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há dias em que minha paciência com a arrogância se esgota. Não é raro, em minha vida de protointelectualidade (tanto minha como de todos ao meu redor), deparar-me com as inconsistências das pessoas, incapazes de perceber suas próprias falhas e limitações.</p>
<p>Isso começa no nível mais absurdo, como entre os jovens de minha idade, mas com metade do tempo de reflexão (e o meu nem foi tão grande assim), dando-se ares de compreensão absoluta do mundo em que vivem com base em algumas doxas bem aceitas ou não. Acabo de ler <a href="http://www.sedentario.org/imagens/a-diferenca-entre-gays-negros-e-racistas-44045">vários comentários a este post</a>, alguns dos quais descambam para a pura e completa falta de noção lógica das coisas. Sim, digo &#8220;lógica&#8221;, pois há detalhes da realidade por demais evidentes, a ponto de não poderem escapar ao escrutínio daqueles dispostos a entender alguma verdade da vida. A resposta &#8220;discriminar os preconceituosos não é discriminar também?&#8221; ignora tantos pressupostos das relações humanas, ignora as leis da ética (qualquer uma!) com tanta empáfia que eu me pergunto se Nietzsche estava certo do avesso, e hoje as pessoas se acreditam <em>übermenschen</em> sem sequer serem <em>menschen</em>.</p>
<p>Mas isso não me irrita tanto. A empáfia ilustrada é ainda mais perigosa ao indivíduo e não é nada fácil de combater, pois costuma vir de mãos dadas com uma arrogância de caráter solipsista. Reconheço: irritar-me com isso é também uma forma arrogante de me relacionar com o mundo, mas não levemos o argumento ao extremo &#8211; a rigor, tudo pode ser lido desta forma, e as coisas perderiam suas distinções essenciais. Não: falo da completa capacidade de uma pessoa questionar-se a si mesma, consciente que está de sua condição humana, entendida esta como, em potencial, a chance de superar os limites que observa no mundo.</p>
<p>Quando uma pessoa qualquer se esquece do fato de, apesar de possuir uma máquina poderosa chamada &#8220;cérebro&#8221;, ser falível, tanto moral quanto ética e intelectualmente, quando desiste do questionamento direto a si mesma, quando evita consciente e inconscientemente os problemas e incoerências resultantes de sua visão de mundo, quando passa a agir como os <a href="http://4.bp.blogspot.com/_NSJ3Gp3hUnQ/TU_0uoFTDqI/AAAAAAAABVY/zSre2el4wCY/s1600/laerte5.png">monges economistas de Laerte</a>, enfim, quando toda a realidade se lhes parece flagrantemente voltada ao erro e a ela foi dada o poder quase divino de compreender o real e o certo, ignorando até mesmo o quão inconsistente isso pode ser (pois a realidade tem inúmeras facetas, e em nossa vida mal chegamos a cobrir algumas das mais próximas de nós), o estrago já está feito e pode ser irremediável.</p>
<p>Infelizmente, mesmo os choques que a própria realidade oferece a essas pessoas são insuficientes. O sentido dos golpes já está dado de antemão, e não há espaço para os problemas. Ou, se há, estes só conhecem uma forma de configuração possível, pois as outras já foram excluídas pelo próprio solipsismo. Eu gostaria de acreditar que um pouco de Shakespeare seria suficiente para reduzir a empáfia, mas minha relutância é muito grande. Pois, para estas pessoas alvo de minha incompreensão, as palavras dizem algo sobre algo, ou algo sobre nós, nunca algo para nós, ou algo que não conhecemos. Se a alguém servir a carapuça de modo legítimo, constatem algumas das possíveis formas de mitigar este modo leviano de considerar a vida:</p>
<p><a href="http://www.shakespeare-navigators.com/hamlet/H44.html">*</a></p>
<p>How all occasions do inform against me,<br />
And spur my dull revenge! What is a man,<br />
If his chief good and market of his time<br />
Be but to sleep and feed? a beast, no more.<br />
Sure, He that made us with such large discourse,<br />
Looking before and after, gave us not<br />
That capability and god-like reason<br />
To fust in us unused. Now, whether it be<br />
Bestial oblivion, or some craven scruple<br />
Of thinking too precisely on the event,<br />
A thought which, quarter&#8217;d, hath but one part wisdom<br />
And ever three parts coward, I do not know<br />
Why yet I live to say &#8220;This thing&#8217;s to do,&#8221;<br />
Sith I have cause and will and strength and means<br />
To do&#8217;t. Examples gross as earth exhort me:<br />
Witness this army of such mass and charge<br />
Led by a delicate and tender prince,<br />
Whose spirit with divine ambition puff&#8217;d<br />
Makes mouths at the invisible event,<br />
Exposing what is mortal and unsure<br />
To all that fortune, death and danger dare,<br />
Even for an egg-shell. Rightly to be great<br />
Is not to stir without great argument,<br />
But greatly to find quarrel in a straw<br />
When honor&#8217;s at the stake. How stand I then,<br />
That have a father kill&#8217;d, a mother stain&#8217;d,<br />
Excitements of my reason and my blood,<br />
And let all sleep? while, to my shame, I see<br />
The imminent death of twenty thousand men,<br />
That, for a fantasy and trick of fame,<br />
Go to their graves like beds, fight for a plot<br />
Whereon the numbers cannot try the cause,<br />
Which is not tomb enough and continent<br />
To hide the slain? O, from this time forth,<br />
My thoughts be bloody, or be nothing worth!&#8221;</p>
<p><a href="http://www.shakespeare-navigators.com/macbeth/T21.html">**</a></p>
<p>&#8220;Is this a dagger which I see before me,<br />
The handle toward my hand? Come, let me clutch thee.<br />
I have thee not, and yet I see thee still.<br />
Art thou not, fatal vision, sensible<br />
To feeling as to sight? or art thou but<br />
A dagger of the mind, a false creation,<br />
Proceeding from the heat-oppressed brain?<br />
I see thee yet, in form as palpable<br />
As this which now I draw.<br />
Thou marshall&#8217;st me the way that I was going;<br />
And such an instrument I was to use.<br />
Mine eyes are made the fools o&#8217; the other senses,<br />
Or else worth all the rest; I see thee still,<br />
And on thy blade and dudgeon gouts of blood,<br />
Which was not so before. There&#8217;s no such thing:<br />
It is the bloody business which informs<br />
Thus to mine eyes. Now o&#8217;er the one half-world<br />
Nature seems dead, and wicked dreams abuse<br />
The curtain&#8217;d sleep; witchcraft celebrates<br />
Pale Hecat&#8217;s off&#8217;rings; and wither&#8217;d Murder,<br />
Alarum&#8217;d by his sentinel, the wolf,<br />
Whose howl&#8217;s his watch, thus with his stealthy pace,<br />
With Tarquin&#8217;s ravishing strides, towards his design<br />
Moves like a ghost. Thou sure and firm-set earth,<br />
Hear not my steps, which way they walk, for fear<br />
Thy very stones prate of my whereabout,<br />
And take the present horror from the time,<br />
Which now suits with it. Whiles I threat, he lives:<br />
Words to the heat of deeds too cold breath gives.&#8221;</p>
<p><a href="http://www.shakespeare-navigators.com/othello/T13.html">***</a></p>
<p>&#8220;Thus do I ever make my fool my purse:<br />
For I mine own gain&#8217;d knowledge should profane,<br />
If I would time expend with such a snipe.<br />
But for my sport and profit. I hate the Moor:<br />
And it is thought abroad, that &#8216;twixt my sheets<br />
He has done my office: I know not if&#8217;t be true;<br />
But I, for mere suspicion in that kind,<br />
Will do as if for surety. He holds me well;<br />
The better shall my purpose work on him.<br />
Cassio&#8217;s a proper man: let me see now:<br />
To get his place and to plume up my will<br />
In double knavery — How, how? Let&#8217;s see: —<br />
After some time, to abuse Othello&#8217;s ear<br />
That he is too familiar with his wife.<br />
He hath a person and a smooth dispose<br />
To be suspected, framed to make women false.<br />
The Moor is of a free and open nature,<br />
That thinks men honest that but seem to be so,<br />
And will as tenderly be led by the nose<br />
As asses are.<br />
I have&#8217;t. It is engender&#8217;d. Hell and night<br />
Must bring this monstrous birth to the world&#8217;s light.&#8221;</p>
<p><a href="http://www.shakespeare-navigators.com/hamlet/H51.html">****</a></p>
<p>&#8220;Alas, poor Yorick! I knew him, Horatio: a fellow of<br />
infinite jest, of most excellent fancy: he hath borne me<br />
on his back a thousand times; and now, how abhorred<br />
in my imagination it is! my gorge rises at it. Here hung<br />
those lips that I have kissed I know not how oft. Where<br />
be your gibes now? your gambols? your songs? your<br />
flashes of merriment, that were wont to set the table on<br />
a roar? Not one now, to mock your own grinning? quite<br />
chop-fallen? Now get you to my lady&#8217;s chamber, and tell<br />
her, let her paint an inch thick, to this favour she must come;<br />
make her laugh at that.&#8221;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/relances.wordpress.com/560/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/relances.wordpress.com/560/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/relances.wordpress.com/560/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/relances.wordpress.com/560/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/relances.wordpress.com/560/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/relances.wordpress.com/560/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/relances.wordpress.com/560/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/relances.wordpress.com/560/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/relances.wordpress.com/560/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/relances.wordpress.com/560/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/relances.wordpress.com/560/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/relances.wordpress.com/560/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/relances.wordpress.com/560/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/relances.wordpress.com/560/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=relances.wordpress.com&amp;blog=10797849&amp;post=560&amp;subd=relances&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://relances.wordpress.com/2011/06/25/empafia-ilustrada/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/f0cc2c70996a9cadf96424ea6e15caf7?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">relances</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Lixo e hipocrisia</title>
		<link>http://relances.wordpress.com/2011/04/14/lixo-e-hipocrisia/</link>
		<comments>http://relances.wordpress.com/2011/04/14/lixo-e-hipocrisia/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 15 Apr 2011 00:15:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>relances</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[Universidade]]></category>
		<category><![CDATA[Criticáveis]]></category>
		<category><![CDATA[Infâmia]]></category>
		<category><![CDATA[USP]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://relances.wordpress.com/?p=557</guid>
		<description><![CDATA[O amplamente divulgado caso da greve dos funcionários terceirizados da USP, sucedido pelos protestos dos mesmos (auxiliados por alunos), confirma várias de minhas opiniões em vários sentidos. Sem entrar no mérito da ação, que envolveu basicamente espalhar o lixo da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) pelos corredores e salas, o caso é [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=relances.wordpress.com&amp;blog=10797849&amp;post=557&amp;subd=relances&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O amplamente divulgado caso da greve dos funcionários terceirizados da USP, sucedido pelos protestos dos mesmos (auxiliados por alunos), confirma várias de minhas opiniões em vários sentidos. Sem entrar no mérito da ação, que envolveu basicamente espalhar o lixo da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) pelos corredores e salas, o caso é bom para demonstrar o quanto o discurso pretensamente esquerdista de boa parte dos alunos e professores é hipócrita, e só vale enquanto não os atinge diretamente.</p>
<p>A manifestação é um típico ato arbitrário que prejudica as condições de convívio e instaura a desordem. Entretanto, suas motivações correm o risco de serem elididas pela “espetacularidade” do caso. Como sabem, os terceirizados, que já recebem um salário de fome sem ninguém que os ajude a buscar condições mais dignas, tiveram seus salários e direitos trabalhistas atrasados desde março. A USP (<a href="https://docs.google.com/viewer?a=v&amp;pid=explorer&amp;chrome=true&amp;srcid=0B99dlVjt7JZ9OTVlODliYTEtOWI1NS00MmQyLWEzMWYtZTViZjYxNTkzMjg1&amp;hl=en">ciente do problema já há mais de 20 dias</a>) fez que pagou, mas depositou o valor em juízo para a empresa de limpeza. Esta não o repassa aos funcionários por ter contas bloqueadas devido ao não pagamento de tributos. Enquanto isso, os que recebem menos de um salário mínimo (devido aos descontos) estão sem nada.</p>
<p>Discordar da forma de manifestação é direito de todos, e não é algo assim tão absurdo, pois não há quaisquer indicações seguras de que espalhar o lixo pela faculdade garantirá algo ou levará a alguma medida que beneficie os funcionários. Em boa medida, os atrapalhará irremediavelmente, por meio das famosas “listas negras”. Espera-se, no entanto, o mínimo de solidariedade com as pessoas que, mesmo que estejam equivocadas em promover a desordem, ainda necessitam de seus mais do que merecidos e injustamente baixos salários.</p>
<p>Qual o quê! A comunidade da FFLCH, em boa medida a de Letras, que conheço melhor e onde estudei, está “enfezadinha” com os terceirizados. Repudiam a arbitrariedade do ato, e se manifestam favoráveis ao protesto, mas não à sua forma. “Apoiam” os funcionários, mas não quando eles jogam lixo no chão. E aí?</p>
<p>A escolha de muitos foi parar no repúdio. No <a href="http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=58513&amp;tid=5594329889568515797">orkut</a>, aqueles que têm acesso poderão ver do que se trata: uma quantidade de posições calcadas no “proteste, mas não me atrapalhe” que não consegue ver além de suas próprias posições mesquinhas. Para eles, crianças que podem estar passando fome são menos importantes que suas aulas e seu tênis que pisará em papéis. Mas o que se aprende mesmo nas aulas?</p>
<p>Ah, sim. Os professores. Estes são um caso à parte. Uma decisão colegiada dos chefes de departamento resolve copiar seus alunos mais “brilhantes” e definir por um repúdio aos atos dos funcionários. Anunciam solidariedade, mas dizem que manterão as aulas porque os meios <a href="//is.gd/SWO1mn”">são moralmente condenáveis</a>. Olhem só que beleza:</p>
<blockquote><p>A FFLCH é conhecida (&#8230;) por suas <strong>posições firmes</strong> na defesa dos direitos constitucionais democráticos e dos princípios consagrados nas convenções dos direitos humanos. Somos – docentes, alunos e funcionários -, como não poderíamos deixar de ser, solidários com as vítimas de graves violações de direitos, em especial os direitos trabalhistas.</p>
<p>Esta <strong>posição firme e inquestionável</strong> não implica, sob qualquer hipótese, a aceitação de meios inadmissíveis para garantir direitos, que apelam para o uso ou ameaça de uso de força e de meios de ação moralmente condenados como vandalismo e depredação dos espaços públicos. Menos ainda aceitáveis quando provêm de agremiações sindicais, partidárias ou de segmentos minoritários dos estudantes, julgando a si próprios e procedendo como se fossem os únicos porta-vozes autorizados a falar em nome dos injustiçados.</p>
<p><strong>Por tudo isso</strong>, manteremos as aulas e o curso normal das atividades. Colaboraremos, no que nos for de competência, para que o conflito trabalhista possa ser resolvido no menor prazo possível. Ao mesmo tempo, não toleraremos que o vandalismo obscureça toda uma longa história de êxitos e de reconhecimento público. [grifos meus]</p></blockquote>
<p>É a queda de máscara. O discurso foi bonito enquanto durou. Os professores que há tanto defendiam posições sociais contundentes, mas esbarravam na velha dissociação entre teoria e prática, tiveram uma oportunidade ímpar de fazer valer suas preferências. E aqui, mesmo contrários aos métodos utilizados, a solidariedade ampla e irrestrita não era uma resposta difícil para eles. Não implicaria nenhuma concessão difícil, nada que não fosse menos importante que a situação dos funcionários. Mas a escolha foi feita.</p>
<p>Lembrei-me de Adorno sendo obrigado a chamar a polícia em 1969. Acho que ele tinha razão, mas não dá para negar que foi um baque e uma contradição muito forte em relação ao que ele já havia escrito. Talvez por ele ter exagerado um pouco na atitude ou nos escritos. Ou ambos. Não importa: a realidade apresentou-se de modo diferente do previsto. Aqui, na USP, a realidade brotou a partir de atos lamentáveis, mas compreensíveis. A resposta daqueles que dizem ser solidários foi “não mexeremos uma palha em nossas atividades, pois vocês foram muito maus meninos”.</p>
<p>O que era opinião minha virou fato: na hora do “vamos ver”, a democrática FFLCH prefere dar as costas àqueles que diz defender continuadamente. Já se disse muitas vezes que é difícil defender a liberdade de expressão para aqueles que repudiamos. A variação fefelechenta diz que não se defende os funcionários quando estes não agem de acordo com as regras.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/relances.wordpress.com/557/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/relances.wordpress.com/557/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/relances.wordpress.com/557/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/relances.wordpress.com/557/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/relances.wordpress.com/557/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/relances.wordpress.com/557/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/relances.wordpress.com/557/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/relances.wordpress.com/557/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/relances.wordpress.com/557/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/relances.wordpress.com/557/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/relances.wordpress.com/557/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/relances.wordpress.com/557/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/relances.wordpress.com/557/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/relances.wordpress.com/557/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=relances.wordpress.com&amp;blog=10797849&amp;post=557&amp;subd=relances&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://relances.wordpress.com/2011/04/14/lixo-e-hipocrisia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/f0cc2c70996a9cadf96424ea6e15caf7?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">relances</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Os grandes filmes da Disney</title>
		<link>http://relances.wordpress.com/2011/04/13/os-grandes-filmes-da-disney/</link>
		<comments>http://relances.wordpress.com/2011/04/13/os-grandes-filmes-da-disney/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 13 Apr 2011 02:08:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>relances</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Recomendações]]></category>
		<category><![CDATA[Disney]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://relances.wordpress.com/?p=550</guid>
		<description><![CDATA[Já há algum tempo as pessoas em geral acham no mínimo divertido quando faço comentários extremamente apologéticos às animações clássicas da Disney. A maioria não espera que alguém minimamente versado no “cinema de arte” aprecie e admire tanto produções vistas como simples, feitas para crianças. Muitos se esquecem que Hitchcock, por exemplo, não era considerado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=relances.wordpress.com&amp;blog=10797849&amp;post=550&amp;subd=relances&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já há algum tempo as pessoas em geral acham no mínimo divertido quando faço comentários extremamente apologéticos às animações clássicas da Disney. A maioria não espera que alguém minimamente versado no “cinema de arte” aprecie e admire tanto produções vistas como simples, feitas para crianças.</p>
<p>Muitos se esquecem que Hitchcock, por exemplo, não era considerado um grande diretor até o pessoal da Cahiers du Cinéma (especialmente Truffaut) apontar sua genialidade na composição de cenas, sua mestria na narração e sua incrível capacidade cinematográfica.  Por muito tempo Hitchcock foi considerado entretenimento barato, mas o resgate crítico francês possibilitou que as pessoas vissem <em>Rear window</em> e <em>North by northwest</em> como o que são: verdadeiros clássicos.</p>
<p>Com as produções mais clássicas da Disney o caminho foi oposto. O grande negócio em que se transformou o cinema de animação, somado a uma crise criativa que atravessa três décadas, ajudou a cristalizar a noção de que o cinema da Disney era apenas uma forma de caça-níqueis infantil, destinada ao consumo breve.</p>
<p>Outro motivo para o demérito dado às animações da Disney está no fato de termos visto quase todos os filmes em nossa infância. Quem ainda considera seu antigo forte apache uma peça admirável arquitetonicamente? Os grandes filmes da Disney passam para uma memória afetiva, associados para sempre a um padrão que reputamos inferior às preocupações “sérias” da vida adulta. Como colocar em um mesmo cesto os filmes de Bergman e os desenhos animados?</p>
<p>Não, não proponho isso. Não se compara filmes tão desiguais, e mesmo a melhor animação da Disney não atingiu um nível tão alto de excelência, se o compararmos com <em>Persona</em>. Mas a necessidade de olhar os filmes como o que são, e não apenas como se comportam mercadologicamente, ainda se impõe. E, assistidos com atenção, esses filmes revelam composições dignas de figurar no rol das maiores obras do cinema.</p>
<p><span id="more-550"></span></p>
<h3>A Era de Ouro (1937-1942)</h3>
<p>Tudo começa com o primeiro longa-metragem que Walt Disney produz, <em>Branca de Neve e os Sete Anões</em>. As técnicas de produção do filme são <a href="http://www.youtube.com/watch?v=MuJ3Yfe_Bjc&amp;feature=related">um capítulo à parte</a>, mas não me sinto tão confortável em comentá-las. Prefiro apontar o fato que o filme simplesmente inventa a narratividade Disney, e aqui não falo dos aspectos mais superficiais, como números musicais e uso de contos de fadas.</p>
<p>A dinâmica do roteiro sempre em conjunto com a composição do cenário (pensem na cena em que Branca de Neve se perde na floresta), a presença de coadjuvantes que marcam, seja pelo alívio cômico ou pelo conflito moral (no caso, os anões e o caçador, respectivamente), a incorporação da tensão narrativa de modo absolutamente original para um produto “infantil” (comparem com os desenhos da Warner)&#8230; Todos esses fatores fariam parte das produções da Disney até o fim, e boa parte de seu sucesso comercial deriva de sua observância.</p>
<p>Os filmes seguintes, embora mantenham a fórmula em vários níveis, introduzem, cada um a seu modo, novas características à estrutura básica. <em>Pinóquio</em> trabalha fortemente a lição moral, algo que se tornaria uma constante; <a href="http://www.youtube.com/watch?v=DOZzNOkcEgM&amp;playnext=1&amp;list=PLACB74921DE3F45EE">Jiminy, o grilo falante</a>, é uma daquelas sacadas geniais, em que a consciência do ser em formação se encontra fora dele, e em desencontro com suas pulsões. Esse desencontro leva à desventura, que termina bem quando há a compreensão das limitações e a aderência aos bons conselhos. É o primeiro filme que investe no papel <em>formador</em> do cinema infantil, com grande sucesso.</p>
<p>Em seguida, vem <em>Dumbo</em> e <em>Bambi</em>. Ambos prenunciam questões do presente (no primeiro o <em>bullying</em> e no segundo a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bambi_effect">preocupação ecológica</a>), mas vão muito além do papel de arautos do contemporâneo. Em <em>Dumbo</em> o indivíduo inadequado precisa se encontrar numa busca pelo inédito, a fim de libertar-se dos defeitos que a sociedade lhe confere. A forma de alcançar este resultado não é edificante, por mais triunfo que exista no final; o investimento aqui é fortemente emotivo, e o personagem que não diz uma palavra no longa se expressa através de suas ações e expressões.</p>
<p><em>Bambi</em>, uma pequena obra de arte na forma de desenhar cenários deslumbrantes, carrega o primeiro choque traumático imposto pelos filmes de Walt Disney: a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=-eHr-9_6hCg">morte da mãe de Bambi</a>. A tensão que em outros filmes era expressa em momentos temporários (o envenenamento de Branca de Neve, Pinóquio engolido pela baleia e a mãe de Dumbo enjaulada) agora é pela primeira vez definitiva, assumindo uma outra dimensão. À parte os outros méritos, <em>Bambi</em> é um filme que estabelece um rompimento de “boa expectativa” dentro da narrativa, uma fissura que só seria retomada com êxito em <em>Rei Leão</em>. Não é pouco.</p>
<p>Deixei <em>Fantasia </em>para o fim por ser um filme <em>sui generis</em>. “Um erro”, disse Walt Disney, transformado posteriormente em um dos maiores clássicos do cinema, <em>Fantasia</em> dá um show de expressividade em histórias simples mas significativas e, à moda do estúdio, de fundo moral. Em alguns casos, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=XChxLGnIwCU">a música parece ter sido feita para o desenho</a>, e não o contrário. Isso mostra o tamanho do acerto.</p>
<h3>A Era de Prata (1950-1959)</h3>
<p>Excluo da base os filmes musicais feitos na década de 40, como <em>Los tres amigos</em>, por serem mais um conjunto de desenhos menores pensados individualmente, com personagens que se tornaram conhecidos muito anteriormente ao início da produção de longas. A retomada do padrão Disney se dá com <em>Cinderela</em>, seguido por <em>Alice no País das Maravilhas</em>, <em>Peter Pan</em>, <em>A Dama e o Vagabundo</em> e, por fim, <em>Bela Adormecida</em>.</p>
<p>Não são filmes tão bons quanto os 5 primeiros. Antes de um esgotamento precoce da fórmula, parecem na verdade padecer da falta de força de seus enredos dentro da estrutura consagrada em <em>Branca de Neve</em>. Mantém-se a alta qualidade técnico, mas sem o brilho. Ainda assim, rendem uma cena antológica (o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=5WxDdz-Anls">beijo de macarrão</a> de <em>A Dama e o Vagabundo</em>), um dos maiores símbolos da Disney até hoje (o castelo da Cinderela), um dos vilões mais carismáticos (Capitão Gancho) e a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=3OaxejZBe0M">trilha magnífica de Tchaikóvski</a> para <em>Bela Adormecida</em>.</p>
<p>Hoje se acusa a versão Disney de <em>Alice</em> de causar a “infantilização” da história perturbadora de Lewis Carroll, não sem boa dose de razão. Mas, apesar dos pesares, a adaptação consegue reproduzir bem o tom estranho do livro, embora bastante suavizado. Penso na elaboração visual de personagens como o exército de cartas, o Gato e a Lebre de Março, bem como de cenas como o dilúvio que se segue ao “Coma-me” e a cena das flores. Essa evolução visual acompanharia as produções Disney até a Pixar forçar uma mudança drástica.</p>
<h3>A Era de Latão (1960-1989)</h3>
<p>O que eram contos morais elaborados tornam-se moralismos constrangedores; o que eram coadjuvantes de relevo tornam-se engraçadinhos que são o real foco do filme; o que eram boas ideias de roteiro são apenas cópias da estrutura piegas de outras histórias. Diversos filmes evidenciam a queda brusca de qualidade, como <em>A Espada era a Lei</em>, <em>Robin Hood</em> ou <em>Aristogatas</em>. Um filme do qual muitos gostam, mas eu particularmente acho fraco, xoxo, é <em>101 Dálmatas</em>.</p>
<p>A lista prosegue com <em>Mogli – o livro da selva</em> (uma adaptação mediana de Kipling), <em>Ursinho Puff</em> (que nem parece filme Disney, com sua ingenuidade padrão Teletubbies), até chegar em <em>Bernardo e Bianca </em>(<em>The Rescuers</em>), o único filme bom da Era de Latão, justamente por resgatar algumas características de filmes dos bons tempos. Ainda assim, a fatura é desigual, com a vilã pouco convincente e a desnecessária sequência.</p>
<p>Errr, alguém aí viu <em>O cão e a raposa</em>, <em>O caldeirão mágico</em> e <em>Oliver e sua turma</em>? Eu vi, e não verei de novo tão cedo. Filmes que copiam os piores filmes antigos, como <em>Aristogatas</em> e <em>A Espada era a Lei</em>. Menção honrosa para <em>O Ratinho Detetive</em>, que pelo menos adapta Sherlock Holmes para a gramática da animação. Não sem muito brilho, evidentemente.</p>
<h3>Uma nova Era de Ouro (1989-1994)</h3>
<p>Começou com <em>A pequena sereia</em>, o maior sucesso da Disney desde <em>Bela Adormecida</em>. Um filme do qual nunca gostei, embora reconheça o mérito da volta dos números musicais divertidos. Mas é um filme oco, belo apenas em sua criação do ambiente marinho. Tem o mérito relativo de ter impulsionado uma nova busca por histórias diferentes do usual (notem que até então as histórias eram ou de contos de fadas ou inglesas). Essa busca deu-nos os três melhores filmes de animação recentes até <em>Wall-E</em>.</p>
<p>O primeiro foi <em>A Bela e a Fera</em>, até hoje meu filme preferido da Disney (não quer dizer que eu ache o melhor), um conto moral maravilhoso que investiu na formação psicológica de seus personagens como só <em>Pinóquio</em> e <em>Bambi</em> haviam feito. Talvez até melhor. A jornada da Fera em busca de aceitação, só satisfeita quando ele deixa de acreditar em sua visão egocêntrica do mundo, contraposta ao mundo vaidoso e sem auto-crítica de Gaston, até hoje ressoam em nosso caráter. <em>A Bela e a Fera</em> foi a primeira animação a ser nomeada ao Oscar, perdendo para <em>O Silêncio dos Inocentes</em> (eu prefiro o filme da Disney, mas entendo a derrota; quem não entenderá vai ser o leitor deste texto que adora o filme do canibal, do qual também gosto muito).</p>
<p>Depois veio <em>Aladdin</em>, a maior aventura da Disney desde <em>Dumbo</em>. O Gênio é um personagem inesquecível, como Iago. Mas o foco é nas peripécias do herói; trata-se de um filme ágil, jovial, bem-humorado e capaz de algo que geralmente só o cinema de ação proporciona: a identificação do espectador com as ações do personagem, não com sua psicologia. Um contraponto interessantíssimo ao clima soturno de <em>A Bela e a Fera</em>, <em>Aladdin</em> é um filme solar, e se beneficia imensamente da composição gráfica da Arábia, até hoje icônica.</p>
<p>Mas é no terceiro filme que a Disney encontra seu maior sucesso: <em>O Rei Leão</em>, fruto de uma confluência felicíssima de tudo que deu certo nos longas anteriores. Há um conto moral forte, que se integra diretamente com um discurso altamente político e social. Um enredo de inspiração shakespeariana que se resolve em um processo de conhecimento do herói. É, em muitos sentidos, uma inversão da tragédia clássica: o herói descobre que sua culpa não lhe cabe (ao contrário do reconhecimento como foi teorizado por Aristóteles), tendo sido justamente a inércia (e não a <em>hubris</em>) a causa do mal, que será expiado no confronto com o passado. Além disso, a força mítica de passagens como a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=vX07j9SDFcc&amp;feature=related">abertura monumental</a>, ou o desenho de Simba na árvore feito por Rafiki, une-se harmoniosamente com dois personagens memoráveis cuja despreocupação é tratada como uma “<em>problem-free philosophy</em>”: Timão e Pumba.</p>
<p>Sobre esses filmes dá para fazer uma tese. Mas a Disney voltou aos erros depois de <em>O Rei Leão</em>. Conseguiu produzir filmes ainda mais fracos do que os da década de 60: <em>Pocahontas</em>, <em>Mulan</em>, <em>Tarzan</em>, <em>Hercules</em>&#8230; E esses eram baseados em outras histórias, o que talvez tenha impedido um fracasso monumental. Este viria em <em>A nova onda do Imperador</em>, <em>Atlantis</em>, <em>Lilo &amp; Stitch</em>&#8230;</p>
<p>Mas neste momento a Pixar já estava produzindo desenhos aprimoradíssimos tecnicamente e com qualidade de roteiro no mínimo comparável à Era de Prata Disney. Não à toa, em conjunto com a Disney, chegou-se a pequenas joias, como a trilogia <em>Toy Story</em>, o tocante e deslumbrante <em>Procurando Nemo</em>, o simples mas honesto <em>Ratatuille</em>. Um dos melhores filmes de super-heróis se fez ali (<em>Os Incríveis</em>) e, por fim, uma das maiores obras do cinema nesta década que passou: <em>Wall-E</em>, um filme absolutamente perfeito que resgata a história do cinema e, em grande medida, a história da Disney.</p>
<p>Espero que meus leitores que estavam céticos no começo do post (“lá vem o cara falar que filme infantil é obra-prima do cinema”) tenham se lembrado dos filmes e sabido reconhecer não apenas suas qualidades, mas o real tamanho de sua importância para a história da recente sétima arte. No caso dos oito filmes que abordei mais de perto, o tamanho é bastante grande.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/relances.wordpress.com/550/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/relances.wordpress.com/550/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/relances.wordpress.com/550/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/relances.wordpress.com/550/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/relances.wordpress.com/550/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/relances.wordpress.com/550/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/relances.wordpress.com/550/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/relances.wordpress.com/550/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/relances.wordpress.com/550/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/relances.wordpress.com/550/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/relances.wordpress.com/550/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/relances.wordpress.com/550/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/relances.wordpress.com/550/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/relances.wordpress.com/550/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=relances.wordpress.com&amp;blog=10797849&amp;post=550&amp;subd=relances&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://relances.wordpress.com/2011/04/13/os-grandes-filmes-da-disney/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/f0cc2c70996a9cadf96424ea6e15caf7?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">relances</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Não desisti</title>
		<link>http://relances.wordpress.com/2011/04/10/nao-desisti/</link>
		<comments>http://relances.wordpress.com/2011/04/10/nao-desisti/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 10 Apr 2011 17:14:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>relances</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relances]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://relances.wordpress.com/?p=538</guid>
		<description><![CDATA[Minha resposta ao Ticão no comentário ao post abaixo. Mas parece que muitos estão desistindo. É um momento de reordenação dos blogs: os mais representativos de esquerda estão sumindo, um disse que ia voltar e até agora nada; um amigo mais à direita também parou, e os blogs de que gosto (os que tenho no [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=relances.wordpress.com&amp;blog=10797849&amp;post=538&amp;subd=relances&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Minha resposta ao Ticão no comentário ao post abaixo.</p>
<p>Mas parece que muitos estão desistindo. É um momento de reordenação dos blogs: os mais representativos de esquerda estão sumindo, <a href="http://napraticaateoriaeoutra.org">um disse que ia voltar e até agora nada</a>; <a href="http://moscaazul.wordpress.com">um amigo mais à direita também parou</a>, e os blogs de que gosto (os que tenho no Reader) estão em geral parados. Mas eu estou voltando. Com menos política e mais cultura, eu acho. Nesta semana pelo menos uns dois ou três posts.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/relances.wordpress.com/538/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/relances.wordpress.com/538/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/relances.wordpress.com/538/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/relances.wordpress.com/538/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/relances.wordpress.com/538/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/relances.wordpress.com/538/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/relances.wordpress.com/538/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/relances.wordpress.com/538/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/relances.wordpress.com/538/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/relances.wordpress.com/538/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/relances.wordpress.com/538/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/relances.wordpress.com/538/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/relances.wordpress.com/538/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/relances.wordpress.com/538/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=relances.wordpress.com&amp;blog=10797849&amp;post=538&amp;subd=relances&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://relances.wordpress.com/2011/04/10/nao-desisti/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/f0cc2c70996a9cadf96424ea6e15caf7?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">relances</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Parabéns, Egito</title>
		<link>http://relances.wordpress.com/2011/02/10/parabens-egito/</link>
		<comments>http://relances.wordpress.com/2011/02/10/parabens-egito/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 10 Feb 2011 20:25:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>relances</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relances]]></category>
		<category><![CDATA[Democracia]]></category>
		<category><![CDATA[Egito]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://relances.wordpress.com/?p=540</guid>
		<description><![CDATA[تهانينا، مصر Segundo o Google, a expressão em árabe acima diz o mesmo que o título do post. E não é para menos. O primeiro passo de uma revolução pela democracia, que deveria ser aplaudida e apoiada por todo o mundo ocidental: a queda de Hosni Mubarak. Depois do decepcionante pronunciamento de ontem, Mubarak deve ter sentido [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=relances.wordpress.com&amp;blog=10797849&amp;post=540&amp;subd=relances&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" src="http://www.boiseweekly.com/imager/b/magnum/2045254/ff7e/Egypt-Protests-2011-1-30.jpg" alt="" width="570" height="380" /></p>
<p style="text-align:right;">تهانينا، مصر</p>
<p style="text-align:left;">Segundo o Google, a expressão em árabe acima diz o mesmo que o título do post. E não é para menos. O primeiro passo de uma revolução pela democracia, que deveria ser aplaudida e apoiada por todo o mundo ocidental: <a href="http://english.aljazeera.net/news/middleeast/2011/02/201121125158705862.html">a queda de Hosni Mubarak</a>. Depois do decepcionante pronunciamento de ontem, Mubarak deve ter sentido que acabaria saindo morto e picou a mula.</p>
<p style="text-align:left;">Não é tudo. Ainda falta apear do poder seus acólitos, tão antidemocráticos quanto ele. É preciso também cuidar da democracia ainda em gestação, para que não seja perdida como no Irã (no que não acredito; os contextos são extremamente diversos). Para isso, o povo egípcio precisará se manter em movimento.</p>
<p style="text-align:left;"><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/2011_Egyptian_protests#Deaths">Não foi sem sangue.</a> Mais de 300 pessoas morreram nos protestos, a maioria absoluta no Cairo e em Alexandria. Uma revolução urbana, sem dúvida, que pode ser decisiva para trazer o mundo árabe para regimes mais democráticos. Sem se esquecer de sua ainda turbulenta irmã mais velha, a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/2010%E2%80%932011_Tunisian_uprising">Revolução Jasmim na Tunísia.</a></p>
<p style="text-align:left;">Há o temor de que suba um governo antiamericano. O que não se vê é o efeito grave causado pelo apoio a Mubarak na visão que os cidadãos egípcios têm dos EUA. Não estou pedindo para os americanos irem &#8220;iraquiar&#8221; todos os países antidemocráticos, mas para esforçarem-se ao máximo em não alimentar tiranos cuja base de poder se estabelece apenas ao seguir o jogo dos EUA.</p>
<p style="text-align:left;">No mais, novamente parabéns aos egípcios!</p>
<p style="text-align:right;">!بالنجاح</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/relances.wordpress.com/540/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/relances.wordpress.com/540/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/relances.wordpress.com/540/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/relances.wordpress.com/540/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/relances.wordpress.com/540/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/relances.wordpress.com/540/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/relances.wordpress.com/540/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/relances.wordpress.com/540/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/relances.wordpress.com/540/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/relances.wordpress.com/540/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/relances.wordpress.com/540/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/relances.wordpress.com/540/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/relances.wordpress.com/540/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/relances.wordpress.com/540/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=relances.wordpress.com&amp;blog=10797849&amp;post=540&amp;subd=relances&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://relances.wordpress.com/2011/02/10/parabens-egito/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/f0cc2c70996a9cadf96424ea6e15caf7?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">relances</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://www.boiseweekly.com/imager/b/magnum/2045254/ff7e/Egypt-Protests-2011-1-30.jpg" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Pensamentos rápidos sobre salário(s) mínimo(s)</title>
		<link>http://relances.wordpress.com/2011/02/09/pensamentos-rapidos-sobre-salarios-minimos/</link>
		<comments>http://relances.wordpress.com/2011/02/09/pensamentos-rapidos-sobre-salarios-minimos/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 09 Feb 2011 13:43:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>relances</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[Salário Mínimo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://relances.wordpress.com/?p=536</guid>
		<description><![CDATA[A ironia de o Partido dos Trabalhadores ser o que defende o menor valor para o salário mínimo &#8211; tá bom, eu sei que tem a responsabilidade fiscal, sei, mas não era arrochado que eu me sentia ao ver a propaganda eleitoral &#8211; só não é tão irônica pois é no Brasil. Natural, até. *** [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=relances.wordpress.com&amp;blog=10797849&amp;post=536&amp;subd=relances&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A ironia de o Partido dos Trabalhadores ser o que defende o menor valor para o salário mínimo &#8211; tá bom, eu sei que tem a responsabilidade fiscal, sei, mas não era arrochado que eu me sentia ao ver a propaganda eleitoral &#8211; só não é tão irônica pois é no Brasil. Natural, até.</p>
<p>***</p>
<p>A novidade é que apresentam propostas para todo o lado. Paulinho da Força diz que vai <a href="http://noticias.r7.com/brasil/noticias/pdt-promete-brigar-por-salario-minimo-maior-20110208.html">bater na mesa por 580, se não der vai 560 mesmo</a>. O PSDB, se sobrar alguma coisa do fratricídio, pretende levar adiante a <a href="http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/2011/02/psdb-defende-salario-minimo-de-r-600">popróstata dos 600 reais</a>. O PT afirma que vai ser 545, nada mais, nada menos.</p>
<p>***</p>
<p>No PT, sua figura maior, ora destituída de cargo, fala que<a href="http://www1.folha.uol.com.br/poder/871831-lula-acusa-sindicalistas-de-oportunismo-na-discussao-do-minimo.shtml"> sindicalista é um povo oportunista</a>. FHC teve a sua frase com os aposentados, embora ele se referisse a um grupo muito específico. Como Lula gosta de superar FHC em tudo, cospe até no prato que comeu. Gente, se sindicalista não for &#8220;oportunista&#8221;, então quem vai ser? Ainda bem que <a href="http://www1.folha.uol.com.br/poder/872906-sarney-defende-minimo-de-r-545-e-critica-de-lula-a-sindicatos.shtml">Sarney defendeu Lula</a>. <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,sarney-nao-pode-ser-tratado-como-pessoa-comum-diz-lula,388999,0.htm">Só faltava ser ingrato</a>.</p>
<p>***</p>
<p>Mas do lado tucano a coisa é mais engraçada. O inefável <a href="http://coturnonoturno.blogspot.com/2011/02/itamar-e-tao-bonzinho.html">Coturno Noturno detesta a ideia de Itamar Franco chamar José Serra</a> a depor sobre sua insustentável &#8220;ideia&#8221; do mínimo de 600 reais. Teme, sem dúvida, que a intensa demagogia de Serra seja desmascarada, como se isso fosse necessário.</p>
<p>***</p>
<p>Cara, Coturno Noturno é o nome de blog mais bizzzzzzarro desde nunca. Eu teria vergonha de seguir um cara desses, que agora tá expulsando do blog até &#8220;aecista&#8221;. Essa turma que acha Castelo Branco herói devia era se contentar com o Bolsonaro, e olhe lá.</p>
<p>***</p>
<p>Eu defendo mínimo a 560. É um aumento razoável e não é um valor quebrado como 545. Acho que não vai quebrar o país, desde que o aumento do ano que vem não seja absurdo. 600 agora é tão impossível que acho engraçadíssimo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/relances.wordpress.com/536/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/relances.wordpress.com/536/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/relances.wordpress.com/536/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/relances.wordpress.com/536/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/relances.wordpress.com/536/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/relances.wordpress.com/536/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/relances.wordpress.com/536/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/relances.wordpress.com/536/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/relances.wordpress.com/536/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/relances.wordpress.com/536/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/relances.wordpress.com/536/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/relances.wordpress.com/536/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/relances.wordpress.com/536/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/relances.wordpress.com/536/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=relances.wordpress.com&amp;blog=10797849&amp;post=536&amp;subd=relances&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://relances.wordpress.com/2011/02/09/pensamentos-rapidos-sobre-salarios-minimos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>11</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/f0cc2c70996a9cadf96424ea6e15caf7?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">relances</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Edgar agora tem blog!</title>
		<link>http://relances.wordpress.com/2011/01/28/edgar-agora-tem-blog/</link>
		<comments>http://relances.wordpress.com/2011/01/28/edgar-agora-tem-blog/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 28 Jan 2011 13:33:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>relances</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recomendações]]></category>
		<category><![CDATA[Relances]]></category>
		<category><![CDATA[Blogroll]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://relances.wordpress.com/?p=533</guid>
		<description><![CDATA[Um dos comentadores mais assíduos e inteligentes deste blog agora tem o seu próprio. Edgar Ferrer é um colorado atualmente triste (mas não mais que a torcida do Corinthians), a quem nunca agradeci devidamente pela dica do Richard Bellamy &#8211; que é ótimo. E ele já começa muito bem falando sobre o bipartidarismo vigente, e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=relances.wordpress.com&amp;blog=10797849&amp;post=533&amp;subd=relances&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos comentadores mais assíduos e inteligentes deste blog agora tem o <a href="http://eescrit.wordpress.com/">seu próprio</a>. Edgar Ferrer é um colorado atualmente triste (mas não mais que a torcida do Corinthians), a quem nunca agradeci devidamente pela dica do Richard Bellamy &#8211; que é ótimo. E ele já começa muito bem falando sobre o bipartidarismo vigente, e ainda à vista para 2014, no Brasil. <a href="http://eescrit.wordpress.com/2011/01/27/o-tal-bipartidarismo-a-brasileira-no-horizonte-de-2014/">Leiam lá</a>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/relances.wordpress.com/533/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/relances.wordpress.com/533/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/relances.wordpress.com/533/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/relances.wordpress.com/533/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/relances.wordpress.com/533/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/relances.wordpress.com/533/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/relances.wordpress.com/533/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/relances.wordpress.com/533/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/relances.wordpress.com/533/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/relances.wordpress.com/533/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/relances.wordpress.com/533/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/relances.wordpress.com/533/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/relances.wordpress.com/533/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/relances.wordpress.com/533/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=relances.wordpress.com&amp;blog=10797849&amp;post=533&amp;subd=relances&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://relances.wordpress.com/2011/01/28/edgar-agora-tem-blog/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/f0cc2c70996a9cadf96424ea6e15caf7?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">relances</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Quem quer ser um pensionário?</title>
		<link>http://relances.wordpress.com/2011/01/26/quem-quer-ser-um-pensionario/</link>
		<comments>http://relances.wordpress.com/2011/01/26/quem-quer-ser-um-pensionario/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 26 Jan 2011 22:14:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>relances</dc:creator>
				<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Relances]]></category>
		<category><![CDATA[Bobagens]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://relances.wordpress.com/?p=530</guid>
		<description><![CDATA[A novidade é que umas senhoras aí são cara de pau a ponto de querer receber uma pensão por serem tetranetas do Tiradentes. Tipo assim, o Estado brasileiro nem existia na época, alguém avisou? O Brasil vai virar o país da tença.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=relances.wordpress.com&amp;blog=10797849&amp;post=530&amp;subd=relances&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A novidade é que umas senhoras aí são cara de pau a ponto de querer <a href="http://www1.folha.uol.com.br/poder/865947-duas-tetranetas-de-tiradentes-tambem-vao-pedir-pensao.shtml">receber uma pensão por serem tetranetas do Tiradentes</a>. Tipo assim, o Estado brasileiro nem existia na época, alguém avisou? O Brasil vai virar o país da tença.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/relances.wordpress.com/530/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/relances.wordpress.com/530/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/relances.wordpress.com/530/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/relances.wordpress.com/530/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/relances.wordpress.com/530/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/relances.wordpress.com/530/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/relances.wordpress.com/530/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/relances.wordpress.com/530/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/relances.wordpress.com/530/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/relances.wordpress.com/530/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/relances.wordpress.com/530/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/relances.wordpress.com/530/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/relances.wordpress.com/530/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/relances.wordpress.com/530/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=relances.wordpress.com&amp;blog=10797849&amp;post=530&amp;subd=relances&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://relances.wordpress.com/2011/01/26/quem-quer-ser-um-pensionario/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>8</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/f0cc2c70996a9cadf96424ea6e15caf7?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">relances</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Parabéns, São Paulo</title>
		<link>http://relances.wordpress.com/2011/01/25/parabens-sao-paulo/</link>
		<comments>http://relances.wordpress.com/2011/01/25/parabens-sao-paulo/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 25 Jan 2011 13:51:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>relances</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relances]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://relances.wordpress.com/?p=526</guid>
		<description><![CDATA[Por ser essa coisa meio esquisita que, de um jeito ou de outro, aturamos gostando.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=relances.wordpress.com&amp;blog=10797849&amp;post=526&amp;subd=relances&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" src="http://www.tvtelinha.com/wp-content/uploads/2010/01/sao-paulo.jpg" alt="" width="680" height="500" /></p>
<p>Por ser essa coisa meio esquisita que, de um jeito ou de outro, aturamos gostando.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/relances.wordpress.com/526/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/relances.wordpress.com/526/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/relances.wordpress.com/526/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/relances.wordpress.com/526/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/relances.wordpress.com/526/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/relances.wordpress.com/526/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/relances.wordpress.com/526/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/relances.wordpress.com/526/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/relances.wordpress.com/526/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/relances.wordpress.com/526/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/relances.wordpress.com/526/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/relances.wordpress.com/526/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/relances.wordpress.com/526/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/relances.wordpress.com/526/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=relances.wordpress.com&amp;blog=10797849&amp;post=526&amp;subd=relances&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://relances.wordpress.com/2011/01/25/parabens-sao-paulo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/f0cc2c70996a9cadf96424ea6e15caf7?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">relances</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://www.tvtelinha.com/wp-content/uploads/2010/01/sao-paulo.jpg" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>O caso Belas Artes</title>
		<link>http://relances.wordpress.com/2011/01/20/o-caso-belas-artes/</link>
		<comments>http://relances.wordpress.com/2011/01/20/o-caso-belas-artes/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 20 Jan 2011 23:21:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>relances</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Ideologia]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[Belas Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://relances.wordpress.com/?p=520</guid>
		<description><![CDATA[Todos sabem do caso do fechamento do cinema Belas Artes. Parece que agora o prédio poderá ser tombado, o que impede reformas &#8211; mas não, ao menos temporariamente, o fechamento do espaço. Sou daqueles que vai periodicamente ao Belas Artes (ontem mesmo fui ver Noites de Cabíria). Há vários motivos para isso: o ingresso é [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=relances.wordpress.com&amp;blog=10797849&amp;post=520&amp;subd=relances&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Todos sabem do caso do fechamento do cinema Belas Artes. Parece que agora o prédio <a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110119/not_imp668145,0.php">poderá ser tombado</a>, o que impede reformas &#8211; mas não, ao menos temporariamente, o fechamento do espaço.</p>
<p>Sou daqueles que vai periodicamente ao Belas Artes (ontem mesmo fui ver <em>Noites de Cabíria</em>). Há vários motivos para isso: o ingresso é em média mais barato, a localização é privilegiada, a programação faz beeeem mais meu estilo&#8230; Fico muito triste com o fechamento, ainda que temporário, do cinema. Justo agora, que o André Sturm parecia ter encontrado parceiros para substituir o HSBC, até ano passado investidor do cinema.</p>
<p>Enfim, a movimentação pró-Belas Artes surtiu algum efeito (<a href="http://twitter.com/joseserra_/status/25332825733464064">até o Serra se manifestou</a>), e também teve seus críticos. E é aqui, neste ponto, que o caso fica interessante. Serviu para definir algumas de minhas diferenças em relação aos &#8220;liberais médios&#8221; &#8211; por favor, não tomem isto em sentido pejorativo. Serve apenas para marcar a diferença em relação ao senso comum liberal, e nem sempre &#8220;senso comum&#8221; é ruim. Ponto parágrafo.</p>
<p>As manifestações no site <a href="http://www.ocidentalismo.org">Ocidentalismo</a> (que tem alguns textos muito bons, recomendo) foram três, de três autores diferentes e com a mesma ideia-base, por assim dizer: um empreendimento mercadologicamente fracassado não deveria ser sustentado a não ser por si próprio. Um mantra do liberalismo, muito justo em se tratando de empresas em geral. E, espero demonstrar, falho no caso do Belas Artes.</p>
<p>Antes de comentar um a um os textos, uma breve reflexão: toda ação estatal no sentido de preencher lacunas do capitalismo é maléfica aos princípios liberais? A resposta a esta pergunta define boa parte do ânimo com que uma pessoa avalia o caso. Por isso, acho honesto dar minha resposta: não, nem toda ação estatal é ruim nesses termos. E digo mais: especialmente no caso cultural.</p>
<p>Entendam bem: &#8220;preencher lacunas&#8221; pode ser um conceito um pouco perigoso, pois se pressupomos lacunas é porque existe um modelo ideal não-satisfeito pela realidade. Como esse modelo seria em larga medida subjetivo (no caso cultural principalmente), e a verificação dessas lacunas depende do modelo, a ação estatal estaria sujeita às arbitrariedades e aleatoriedades de um modelo específico.</p>
<p>Para tornar as coisas mais claras: um dado modelo de cultura tem considerado benéfico garantir espaço para produções brasileiras de cinema, valendo-se de leis sobre a quantidade de sessões que cada cinema deve exibir de filmes nacionais. É um caso de ação estatal preenchendo lacunas. Nesse caso específico, discordo das leis, embora concorde com a ideia de que o cinema nacional deveria ter uma boa posição em seu mercado &#8211; ou seja, para mim, o princípio (ou a intenção) por trás da lei está corret0; o método é que é ruim ou questionável.</p>
<p>Meu objetivo agora é mostrar que a visão liberal apresentada pelos artigos n&#8217;Ocidentalismo está errada em seus princípios, o que turva seu julgamento a respeito do mérito no esforço de salvação do Belas Artes.</p>
<p>1.</p>
<p>O primeiro texto é o de <a href="http://www.ocidentalismo.org/2011/01/o-nosso-cinema-paradiso.html">Leandro Oliveira</a>, que já começa com a ressalva de não ter uma ligação sentimental com o Belas Artes, em parte por ser um &#8220;aglomerado pouco charmoso de salas de exibição ligeiramente desconfortáveis&#8221;. O &#8220;ligeiramente&#8221; deixa escapar que a diferença para os Cinemark da vida não é assim tão distante &#8211; embora eu deva ressaltar que a sala 3, de nome Oscar Niemeyer, é bem ruim por ser quase reta &#8211; talvez seja uma homenagem oblíqua (ops!) ao arquiteto. Ok, move on.</p>
<p>Leandro não era mesmo familiar ao cinema, como se depreende desta pérola:</p>
<blockquote><p>Quanto à programação, sinceramente, nada que o diferenciasse dos demais cinemas de shoppings &#8211; muito mais apropriados e modernos.</p></blockquote>
<p>E eu sou a Madonna. Uma simples olhadela nas programações dos Cinemarks de São Paulo mostra o quão inteiramente despropositada é a sentença citada acima. Desafio qualquer pessoa a mostrar coincidência entre as programações. Acho que o único filme desses de shopping a passar no Belas Artes foi o Tropa de Elite 2. Há coincidências, como <em>Ilha do Medo</em> do Scorsese, que ficou muito mais tempo no Belas Artes do que em qualquer outro cinema, mas são exceções. <em>A rede social</em>, que tem um certo apelo <em>cult</em>, ficou menos tempo em cartaz no Belas Artes do que o documentário sobre a vida de José Saramago.</p>
<p>Mas enfim, Leandro ainda tem mais a dizer:</p>
<blockquote><p>O cheiro de decadência me causa urticárias e disputando lugar com outros cinemas comerciais o Cine Belas Artes seria sempre um lugar decadente &#8211; pouco charmoso e sem funcionalidades como um bom café ou estacionamento. E se existem lugares mais qualificados e rentáveis, com programações mais criativas ou recursos mais adequados ao mercado atual, por que não deixar que eles explorem o mercado?</p></blockquote>
<p>Há muito de criativo nas programações dos cinemas de shoppings, não é verdade? Todos os lugares, desde o Shopping Butantã até o Shopping Metrô Itaquera, passam os mesmos filmes, e ou são blockbusters ou são&#8230; blockbusters! Mas enfim, isso é apenas a mostra do erro em que Leandro incorre: considerar que o Belas Artes é igual e disputa o mesmo &#8220;mercado&#8221; com o PlayArte. Só dá para defender isso apelando à sinonímia forçada entre programações e às leis do mercado, que teoricamente privilegiam o que tem mais qualidade.</p>
<p>O erro, portanto, está em assinalar a falência do Belas Artes dentro de um sistema que não é o dele; é como se eu dissesse que a loja de bicicletas deveria falir porque, oras, existem concessionárias de carros. Embora à luz fria possa parecer que tanto um carro quanto uma bicicleta têm o mesmo propósito &#8211; locomoção -, é inegável que se tratam de dois produtos diferentes, com públicos diferentes.</p>
<p>Ou seja, a retórica de Leandro esbarra na formulação do conceito por não reconhecer o <em>status</em> do Belas Artes em contraposição ao seu contexto. Para sua posição funcionar, precisamos concordar com o absurdo que citei acima, e isso vai contra os fatos. O Belas Artes é, sim, um cinema diferente com programação diferenciada. Partamos deste princípio.</p>
<p>2.</p>
<p>O próximo texto é do <a href="http://www.ocidentalismo.org/2011/01/ainda-o-belas-artes.html">Eduardo Wolf</a>. Vou tentar não comentar alguns detalhes, vamos nos fixar no principal: sua ressalva em relação ao primeiro texto:</p>
<blockquote><p>Só que a questão pode ser vista por outro ângulo, que é o seguinte: que tipo de cinema o Belas Artes pretendia ser? Descontada a margem de erro de dois pontos percentuais para baixo ou para cima na minha avaliação, eu diria que queria ser um cinema de arte, de circuito independente, fora do esquema das grandes fitas comerciais. Essa seria sua vocação, sua personalidade, digamos assim.</p>
<p>E é claro que (pelo pouco que acompanhei do tempo que moro em São Paulo, somado ao que me testemunharam amigos daqui) o cinema cumpria essa função.</p></blockquote>
<p>Oh. Bom, note-se que nossa crítica feita ao primeiro texto encontra aqui alguém que concorda com seu pressuposto. O Belas Artes é um cinema diferente, que traz uma programação &#8220;de arte&#8221;, diferenciada. Vamos ver o que ocorre daqui para frente:</p>
<blockquote><p>O problema é saber se há um público para esse tipo de estabelecimento. (&#8230;) é claro que hoje, mais do que nos 50, 60 ou qualquer década que você queira escolher, leitor, há muito mais gente consumindo esse tipo de cultura cinematográfica mais sofisticada. (&#8230;) Só que esse público &#8211; que tem grana e que poderia tornar o negócio viável &#8211; já não topa mais ir a cineminha furreco, não vai para fazer pose de alternativo.</p></blockquote>
<p>Hummm&#8230; Em termos. Eu lhes digo que nunca havia visto Bergman até a exibição de <em>O sétimo selo</em>, no Belas Artes, por ocasião da morte do grande diretor sueco. Conheci bons e maus novos filmes, vi alguns clássicos e experimentei outros. Revi filmes ali, para ter o gosto da tela grande (que não é exclusividade minha, mas quase uma constante no tal público citado pelo Eduardo). Em grande medida, o Belas Artes ajudou a me formar como espectador de grandes filmes. A existência do espaço proporciona a possibilidade de se formar o público. Até porque cultura não envolve necessariamente demanda comercial; muitas vezes é mais uma questão de massa crítica na sociedade.</p>
<p>O que importa é que Eduardo começou a ganhar mais simpatia de minha parte com esse parágrafo:</p>
<blockquote><p>Mas fica uma questão: mesmo achando que economicamente o negócio possa ser um problema, ainda parece-me plausível a pergunta sobre se a cidade quer ou não ter um cinema assim. E a questão não é apenas dizer que não, e por isso mesmo ele está desse jeito. A Orquestra Sinfônica de São Paulo há vinte anos era o quê? A questão toda é essa: pode-se fazer negócio com cultura, e ser contra isso é coisa de chicano e de francês, ou seja, de parasita do Estado. Mas cultura essencialmente não é negócio. Cultura e conhecimento são investimentos de fundo perdido. (&#8230;). E, curioso, a sociedade capitalista mais bem sucedida do mundo gasta e gasta muito nisso (e conservadores e intelectuais <em>old school</em> reclamam que hoje há menos interesse ou dinheiro para isso, tanto quanto uns poucos <em>left-liberals,</em> pelos mesmos motivos: perder esses elementos é perder traços marcantes da cultura que define um povo, uma civilização).</p></blockquote>
<p>Pois é. O Eduardo toca no ponto essencial do caso, a meu ver: a sociedade pode, por meio do mercado e da democracia, rejeitar algo que é e será essencial para sua formação. A manutenção da cultura, e o cinema faz parte desse processo, é uma das obrigações inalienáveis de qualquer intelectual que se preze. Mesmo que assentada em bases históricas hoje detestáveis, antidemocráticas ou preconceituosas, é preciso manter viva a História da Cultura, pois é a única forma de assegurar que permaneceremos humanos, e não os autômatos de <em>Brave New World</em>.</p>
<p>As formas culturais mais bem sucedidas no mercado são os filmes hollywoodianos, seguidos de perto pelos popstars. Ambos são bem pouco substanciais &#8211; <em>Avatar </em>e <em>Titanic</em> não conseguem chegar perto de ombrear com cineastas como Kurosawa e Kubrick. Estes devem ser preservados, caso o mercado não se encarregue disso. A Biblioteca do Congresso dos EUA costuma selecionar filmes para preservação, em especial os da <em>old Hollywood</em>. Fazem parte de nossa história cultural, e sem esse princípio de conservação, a própria civilização entra em perigo.</p>
<p>E eu aqui discutindo coisa séria&#8230; enquanto o Eduardo resolve mudar de ideia por um motivo bem peculiar.</p>
<blockquote><p>Mas deixei para trás essas reflexões e esqueci minhas simpatias no momento em que nos aproximávamos do cinema, na segunda. Na Consolação, em frente ao cinema, entre um e outro sinal vermelho, uma aglomeração de &#8220;gente&#8221; fazia uma baderna em defesa do &#8220;cinema de rua&#8221;. (&#8230;)</p>
<p>Com esse público, só posso desejar que a palavra tombamento tenha outro sentido, algo relacionado à cova, a túmulo, à tumba.</p>
<p>Que a terra lhes seja leve.</p></blockquote>
<p>Você vê, o cara faz um esforço para tentar me agradar e joga tudo fora com algo que pareceu meio brincalhão, mas não passa de bocolice. Lamentável.</p>
<p>3.</p>
<p>Por fim, o texto de <a href="http://www.ocidentalismo.org/2011/01/cine-belas-artes-e-o-custo-oculto-da.html">Joel Pinheiro</a> veio algo epigonisticamente na mesma trilha, embora seu enfoque seja na proposta de gestão estatal do espaço, o que é, nossa, meu deus, absurdão:</p>
<blockquote><p>Alguém como o sociólogo supra-citado acredita que o Belas-Artes seja um valor absoluto, uma entidade cuja própria existência é necessária para a humanidade e sem a qual a vida não faria sentido, e que portanto justifica enormes sacrifícios (dos outros).</p></blockquote>
<p>Não sou tããão simpático assim à ideia do Belas Artes ser sustentado pelo governo, ao menos não do modo como se propõe ou como é possível hoje. Mas é impressionante como a falta de argumentos (e olha que para rebater o Dória não precisava muito) é mascarada com um exagero nas tintas de fazer corar. Não, Joel, não é que o Belas Artes seja um valor absoluto que se sumir vai matar todo mundo. Mas ele <em>tem</em> um valor cultural. Uma nova loja de departamentos em seu lugar não acrescentaria nada à cidade &#8211; talvez um ou dois empregos ruins a mais.</p>
<p>É impressionante como os custos para o Estado (e, logo, para nós contribuintes) é sempre magnificado, ao passo que o valor do cinema é ironizado e diminuído. Sendo bem franco, o custo do aluguel do espaço é ínfimo perto das possibilidades permitidas pela existência do Belas Artes, perto do valor agregado do local.</p>
<p>Porque ter variedade de opções de filmes, ver coisas diferentes, desenvolver o senso crítico sem se submeter a padronizações &#8211; tudo isso é desejável segundo a ótica liberal com que vejo as coisas. Mesmo analisando do ponto de vista do mercado, a presença sustentada de cinemas alternativos possibilita aos cinemas maiores de shopping concentrar-se em seu filão &#8211; caso contrário, as distribuidoras podem empurrar um monte de tranqueiras; monopólio é ruim até para quem monopoliza.</p>
<p>O post de Joel termina professoral:</p>
<blockquote><p>Não exijam dos outros aquilo que vocês mesmos não estão dispostos a pagar. Se houver demanda, novos cinemas <em>cult</em> surgirão e serão palco de novas e ricas experiências humanas, que gerarão memórias tão valiosas quanto as que hoje em dia temos do Cine Belas-Artes. Se não houver demanda suficiente, então talvez manter cinemas <em>cult</em> funcionando não seja uma boa idéia, e sessões de DVD em casa sejam a melhor pedida.</p></blockquote>
<p>Isso é que é otimismo. É a situação <em>win-win</em>, e se a sociedade perder para sempre a exibição em película (quem vê cinema de verdade sabe que DVD em geral é quase uma consolação por não ter o filme original, em rolo &#8211; não se trata de fetiche, se trata de qualidade diversa, como entre um CD e uma orquestra), tudo bem. Não temos nenhuma obrigação de preservar o que é caro a nós, cidadãos, pois pode ser que nossos filhos nem queiram saber disso.</p>
<p>Agora, o surgimento de &#8220;novos cinemas <em>cult</em>&#8221; é até meio duvidoso. Restauraram o Marabá para fazer dele mais um PlayArte (claro, foi ela que pagou o preço). Não há porque acreditar que o mercado suprirá essa demanda. Porque, repetindo, demanda cultural não visa lucro.</p>
<p>4.</p>
<p>Isso, minha gente, em um site chamado &#8220;Ocidentalismo&#8221;, é muito curioso. Talvez digam que eu exagerei ao defender o Belas Artes, mas é que percebo uma espécie de &#8220;venha a nós, Mammon&#8221; nesse tipo de manifestação que iguala desiguais. Meu liberalismo passa necessariamente pela ideia de que a herança cultural deve ser preservada para (e da) sociedade, ou estamos tiranizando pela maioria. Se o mundo todo quer blockbusters, preservemos o que não é para as gerações futuras &#8211; e para as presentes, caso se interessem. E também preservemos a forma de se relacionar com eles: as salas de cinema independentes.</p>
<p>Talvez eu seja muito elitista, mas eu não confio no consumo do povaréu para garantir a exibição de filmes diferentes. Entregue a si mesma, a maior parte da população adoraria o <em>Brave New World</em>, eu garanto. Com o Belas Artes, já estava difícil convencer uma pessoa a ver filme em preto e branco. Sem o Belas Artes, talvez fiquemos na dependência da Mostra de Cinema. Ou devemos perdê-la também? Tem o sagrado dinheiro do Estado lá.</p>
<p>Enfim, na tentativa de fazer a &#8220;lógica de mercado&#8221; funcionar a tudo e a todos, o liberal médio corre o risco de cair na esparrela de priorizar o método (ou seja, a disputa, a competição por mais lucros) em detrimento do princípio. O princípio dos três textos acima criticados pode ser resumido em: não estamos perdendo nada de diferente, é só charminho do pessoal. <em>No big deal.</em></p>
<p>Não perceber o erro nesse princípio leva à aplicação equivocada do método capitalista, bastante fora de lugar. Pois até os Estados Comunistas da América fazem questão de pagar impostos para preservar sua cultura e seus locais privilegiados. Eles sabem que é mais importante manter esse patrimônio do que aferrar-se a princípios que são bons para corporações, mas deficientes para descrever o que é cultural.</p>
<p>UPDATE: Logo após publicar este post, Leandro Oliveira resolveu mandar ver em <a href="http://www.ocidentalismo.org/2011/01/onde-explico-por-que-os-amantes-de.html">mais um texto</a>. Mais do mesmo (agora insistindo na falta de qualidade das salas do Belas Artes &#8211; não são as melhores, repito, mas são boas), mantenho minhas posições. Fecho apenas com mais um detalhe de <em>reality distorted </em>de sua lavra:  &#8221;É isso [seja lá o que for] que explica que a Osesp custe muito dinheiro mas não seja cara&#8221;. Bom, <a href="http://www.osesp.art.br/portal/concertoseingressos/concerto.aspx?c=1657">para ouvir Beethoven só paga menos de 50 reais quem é estudante</a>. Vou juntar dinheiro para tentar ir.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/relances.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/relances.wordpress.com/520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/relances.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/relances.wordpress.com/520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/relances.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/relances.wordpress.com/520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/relances.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/relances.wordpress.com/520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/relances.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/relances.wordpress.com/520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/relances.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/relances.wordpress.com/520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/relances.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/relances.wordpress.com/520/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=relances.wordpress.com&amp;blog=10797849&amp;post=520&amp;subd=relances&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://relances.wordpress.com/2011/01/20/o-caso-belas-artes/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>14</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/f0cc2c70996a9cadf96424ea6e15caf7?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">relances</media:title>
		</media:content>
	</item>
	</channel>
</rss>
